O Tempo
08/11/2026 12:30

VIOLÊNCIA POLÍTICA Ana Elisa expõe ameaças de morte e estupro e faz desabafo

As ameaças feitas contra a deputada eleita foram denunciadas no início de outubro à Polícia Federal (PF) e à Polícia Civil de Minas Gerais, que abriram inquéritos para investigar os episódios. No vídeo, publicado nesse sábado (8/11), Ana Elisa rebate críticas de que seria contra a Polícia Militar (PM), argumento usado pela influenciadora Natássia Chamelete ao questionar a escolta direcionada à parlamentar. 

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) voltou a expor uma série de ameaças de morte e estupro que tem sido direcionadas a ela por criminosos na internet. A nova série de ataques foi tornada pública pela petista, que assumirá mandato na Câmara dos Deputados aos 21 anos em 2027, em um vídeo publicado nas redes sociais em que rebate críticas de uma influenciadora que aponta suposta contradição na escola policial fornecida à Ana Elisa.

— O TEMPO (@otempo) November 8, 2026

“Eu nunca disse em nenhum lugar que eu sou contra policiamento. Eu sou contra violência policial, que é uma coisa completamente distinta”, salienta Ana Elisa. Ao rebater a influenciadora, a deputada eleita leu um e-mail direcionado a ela por um homem que assina como ‘Pedro’ e se intitula como um ‘pesadelo’ para a petista. Na mensagem direcionada à Ana Elisa, o criminoso além de utilizar expressões misóginas e racistas, também detalhou ameaças de estupro e homicídio contra a parlamentar. 

“Esse é o e-mail mais leve que eu recebo”, diz ela após ler a mensagem. Em seguida, a deputada eleita lamentou a perda de privacidade e liberdade imposta em função da necessidade de escola policial. “Eu resolvi ler esse e-mail e essa ameaça para que as pessoas entendam, de uma vez por todas, que eu sou uma mulher de 21 anos e que neste momento eu adoraria estar sentada num bar com uma pessoa comum e não com uma escolta aqui na porta da minha casa, esperando eu dizer se eu vou virar à direita ou à esquerda. Eu não gostaria de estar vivendo isso”, desabafa a jovem. 

No vídeo, Ana Elisa lamentou que a perseguição a ela tenha sido desencadeada por questões de gênero e em função dos posicionamentos políticos. “Eu adoraria poder ter a minha liberdade preservada, que é algo que eu não tenho. Então, eu não desejo nem para ela, nem para nenhuma mulher neste mundo, que passe pelo que eu estou passando, independentemente das suas opiniões políticas e ideológicas. As minhas opiniões políticas nunca perpassarão a existência de uma outra pessoa. Eu não gostaria de estar com a polícia agora. Eu não gostaria de estar com escolta agora”, complementa. 

Leia também: Conheça a trajetória de Ana Elisa antes de se tornar a deputada federal mais jovem de MG

As ameaças, segundo Ana Elisa, fizeram com que a casa onde mora com a família, em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, tivesse um reforço em aspectos de segurança como instalação de câmeras e serpentinas. “Eu não gostaria disso. Eu tenho 21 anos. Eu queria estar vivendo essa fase juvenil, e eu não posso. Eu me candidatei, eu ganhei uma eleição e, desde então, eu perdi a minha liberdade. Então, para essa moça, que eu não sei o nome, e para todos os outros, que primeiro estão espalhando fake news, porque eu nunca disse que sou contra a polícia, é, estão questionando por que que eu quero uma escolta só para mim, pergunta para o Pedro por que que ele mandou esse e-mail para mim. Pergunta aos outros e-mails que eu estou recebendo. Pergunte às pessoas que estão no meu direct dizendo que vão me matar, por que que elas querem me matar”, cobra Ana Elisa. 

Apoio 

Depois da publicação do vídeo por Ana Elisa, o Partido dos Trabalhadores (PT) publicou uma nota manifestando solidariedade e repudiando ataques criminosos, racistas e misóginos contra a deputada eleita. “Nenhuma divergência justifica a violência, a intimidação ou o desrespeito à dignidade de qualquer pessoa. Defendemos que os ataques sejam apurados e que sejam adotadas as medidas necessárias para garantir sua segurança e integridade”, diz a legenda. 

O PT ainda se colocou à disposição para oferecer apoio e contribuir com medidas necessárias à proteção da deputada eleita. “Não podemos naturalizar a violência nem o silêncio diante dela”, acrescenta. A presidente da sigla em Minas, deputada estadual Leninha, disse que ocupar a política sendo mulher, negra e periférica "ainda significa enfrentar violências que tentam impor limites à nossa presença, à nossa voz e ao nosso direito de decidir os rumos do país". 

"Essa violência acompanha a trajetória de muitas mulheres. E ganha contornos ainda mais cruéis quando são mulheres negras, periféricas, que desafiam os lugares que historicamente lhes foram impostos e ocupam espaços de poder. Querem produzir medo, isolamento e silêncio. Mas Ana Elisa precisa saber que existe uma imensa rede de mulheres e homens, de gente espalhada por todo o Brasil, que está ao seu lado. Somos retaguarda, somos apoio, somos presença. Sua luta não será uma luta solitária", escreveu Leninha nas redes. 

Ana Elisa também recebeu apoio de políticos e do meio artístico. A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) prestou solidariedade e disse que “essa gente odiosa não vai nos calar ou intimidar. Você não está sozinha”.  A ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG), que concorreu ao Senado neste ano, classificou a violência política contra as mulheres de uma “realidade infernal que precisa acabar”.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) disse que os agressores “não podem ficar impunes e não ficarão”. O apoio também veio da oposição. O deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), lamentou os episódios e cobrou uma mudança de postura na direita. 

“O que mais me assusta é ver homens e principalmente mulheres criticando porque ela está com escolta policial 24 horas na porta de sua casa. É sério? Vocês querem que aconteça algo com ela?”, indagou Gleidson, que também é de Divinópolis, ao citar estatísticas de feminicídio no Brasil. “Precisamos cada vez mais fortalecer as leis de proteção às mulheres”, finalizou Azevedo. 

No meio artístico, as atrizes Bruna Griphao e Mel Maia também manifestaram apoio à deputada eleita. “Sinto muito, Ana. Você é essencial para nossa luta e para o Brasil. Que você siga protegida”, escreveu Bruna. “Sinto muitíssimo por você, amiga! estamos contigo”, endossou Mel. O cantor de funk MC Maneirinho lamentou a situação. “Força Ana, chega ser inacreditável”, ponderou. 

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