Campo Grande News
08/11/2026 12:19

Veteranos na vida, candidatos buscam no Enem novos rumos no mercado de trabalho

Entre os jovens candidatos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), há pessoas que já têm mais experiência de vida e estão no mercado de trabalho, como a pedagoga de 61 anos que faz a prova para avaliar os próprios conhecimentos e outros que vão enfrentar o exame para mudar de profissão. Neide Santos, de 61 anos, não pretende fazer outra faculdade. Professora dos anos iniciais, ela participa do Enem todos os anos para acompanhar o conteúdo exigido dos estudantes e aproveitar a experiência no próprio trabalho. “Eu acho que é um bom termômetro, principalmente a redação”, explicou. Neide preferiu não fazer foto para a reportagem. Mesmo com a experiência em sala de aula, ela admite que o exame continua sendo um desafio. “A expectativa está boa, mas o conteúdo está cada vez mais denso, é um pouco complicado, apesar de já ter visto tudo, é como se fosse a primeira vez”. Ela conta que costuma ter bom desempenho nas questões, mas a redação ainda é uma dificuldade. Geralmente, consegue notas entre 7 e 8 e espera melhorar o resultado neste ano. A experiência também rende assunto com os alunos. “Conversar com os adolescentes é muito bom sobre isso, todo ano eu procuro fazer”. Para Juliana Ferreira Valenzuela, de 34 anos, o Enem representa a chance de avançar na profissão. Técnica em análises clínicas, ela já trabalha na área, mas quer uma vaga no curso de Farmácia. Esta é a terceira tentativa e, apesar da experiência, o nervosismo continua. “Estou bem ansiosa”, contou. O maior receio é com a redação. “Para mim, é o foco da prova inteira, então a redação é a mais complicada, é o que me deixa mais apreensiva e ansiosa”. Para tentar realizar o sonho, Juliana precisou encaixar os estudos nos intervalos do expediente e nos dias de folga. “Você tem que se virar nos 30; o tempo que você tem de folga e de intervalo, você tem que estar estudando e se dedicando, é bem cansativo e bem corrido”. Ela não tem filhos e reconhece que isso facilita um pouco a organização da rotina. O enfermeiro Ademilson Fernandes, de 40 anos, também quer ampliar as possibilidades no mercado de trabalho. Ele pretende cursar Fisioterapia e espera conseguir uma bolsa para a segunda graduação. “Mercado de trabalho sempre está mudando, a gente nunca pode focar só em uma coisa, a gente tem que ir melhorando sempre”, afirmou. Há cinco anos longe da sala de aula, Ademilson admite que o retorno aos estudos provoca ansiedade. “Vai ser tudo novo de novo, altas expectativas”. A preparação, dividida com a rotina de trabalho, foi cansativa, mas ele considera o esforço necessário. “Todo esforço vale a pena sempre, a gente tem que buscar o melhor”. Já o guarda patrimonial do Estado Ivaldo Batista, de 49 anos, pensa no que fará quando chegar a hora de se aposentar. Servidor público há 27 anos, ele é formado em Gestão Pública pela UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e agora quer cursar Pedagogia na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). “Já tenho 27 anos de serviços prestados, daqui a pouco posso me aposentar e posso trabalhar na educação”, explicou. Ele tem dois filhos que estudam na universidade federal e pretende aproveitar a nova graduação para ampliar o currículo. Esta é a quinta vez que Ivaldo participa do Enem, mas a primeira desde que concluiu a faculdade. Para se preparar, montou um roteiro de estudos e resolveu questões de provas anteriores. Como trabalha em escala de 12 por 36 horas e ainda mantém outra atividade durante o dia, precisou aproveitar os períodos livres para estudar. “Tenho 49 anos, tenho base boa, uma bagagem, principalmente na área de Humanas; o que vou pecar um pouco vai ser na área de Exatas e Ciências”, avaliou. A expectativa também é voltar a frequentar uma universidade diariamente. O curso anterior era semipresencial, com encontros uma vez por mês. Agora, Ivaldo pretende deixar o trabalho diurno para se dedicar à nova formação, sem abandonar o cargo público. “Eu vou pegar integral, entrar na sala de aula de novo e pegar o chão da fábrica”, afirmou.
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