Gigante nacional do cimento fecha venda para grupo chinês

CSN assinou a venda da CSN Cimentos, segunda maior produtora de cimento do país, para a chinesa Huaxin por R$ 12,7 bilhões. (Foto: Wallace Feitosa/Divulgação CSN)
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) assinou neste sábado (7) o contrato de venda da CSN Cimentos para o grupo chinês Huaxin Building Materials Group. A operação avalia a cimenteira em R$ 12,7 bilhões, de acordo com fato relevante divulgado pela CSN ao mercado neste domingo (8).
O valor corresponde ao chamado valor da empresa (enterprise value), que inclui a dívida da companhia, e ainda pode sofrer ajustes até o fechamento do negócio, de acordo com a dívida líquida e o capital de giro da CSN Cimentos na data da conclusão.
A venda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da autorização prévia da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de aprovações regulatórias na China.
"A transação constitui uma etapa importante na estratégia da companhia voltada à redução do seu endividamento e o equacionamento da sua estrutura de capital", afirma a CSN no comunicado. A empresa diz que pretende concluir a venda assim que as condições forem cumpridas.
Chinesa superou oferta de Votorantim e Cementir
A CSN começou o processo de venda da unidade de cimentos em março. Em 30 de outubro, a siderúrgica anunciou um acordo de exclusividade de dez dias com a Huaxin, que, de acordo com a CSN, apresentou a proposta mais vantajosa.
A CSN Cimentos é a segunda maior produtora de cimento do Brasil, com capacidade de 16,3 milhões de toneladas por ano. A empresa começou a produzir cimento em 2009, em Volta Redonda (RJ), e cresceu com a compra da Elizabeth Cimentos, em 2021, e das operações da LafargeHolcim no Brasil, em 2022.
De acordo com o jornal Valor Econômico, a oferta chinesa superou a do consórcio formado pela brasileira Votorantim e pela italiana Cementir.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a CSN chegou a buscar ao menos R$ 15 bilhões pelo negócio e depois reduziu o valor pretendido para R$ 12 bilhões. A J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, havia oferecido R$ 10 bilhões.
Venda ajuda a reduzir dívida da CSN
A venda é o principal movimento do plano da CSN para reduzir o endividamento. De acordo com o balanço do segundo trimestre, divulgado em agosto, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2026, contra R$ 862 milhões no mesmo período de 2025. Apenas no segundo trimestre, a perda foi de R$ 773,1 milhões.
Descontados a dívida e o capital de giro da cimenteira, a Huaxin prevê pagar cerca de R$ 9 bilhões por 99,99% das ações da CSN Cimentos, de acordo com comunicado da empresa chinesa. Será a primeira entrada de uma cimenteira chinesa no mercado brasileiro.
Parte do dinheiro já tem destino. De acordo com o Pipeline, a CSN tomou neste ano um financiamento com o Morgan Stanley e o Banco do Brasil que tem a venda da cimenteira como garantia. A empresa estaria negociando com bancos uma antecipação do valor a receber, para ter acesso aos recursos antes da conclusão do negócio.
As ações ordinárias da CSN fecharam a sexta-feira (6) em alta de 8,89% na B3, a bolsa de valores brasileira, entre os destaques positivos do Ibovespa, de acordo com o jornal Diário do Grande ABC.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
