CNN Brasil — Últimas
08/11/2026 14:06

Combustíveis estariam 2x mais caros sem ação do governo, dizem entidades

Se o governo brasileiro não tivesse atuado para limitar o repasse do choque internacional de preços do petróleo provocado pela guerra no Irã, iniciada em 28 fim de fevereiro, os combustíveis poderiam estar custando cerca do dobro do valor atualmente cobrado nas bombas, segundo representantes do setor ouvidos pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, parceira de conteúdo do CNN Money.

A avaliação é de que a estratégia adotada combinou aumento do refino doméstico, contenção de reajustes nas refinarias, desoneração tributária e um pacote de subvenções, mecanismos que seguraram a inflação no curto prazo, mas geraram forte distorção de preços e reduziram a competitividade de importadores e refinarias privadas.

Leia Mais

“Grosso modo, o preço do diesel hoje estaria o dobro se não fosse a subvenção do governo. A Petrobras está vendendo o combustível pela metade do preço no mercado internacional e está abrindo mão de receita”, afirmou o presidente da Refina Brasil, associação das refinarias privadas, Evaristo Pinheiro.

Dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) mostram a dimensão da diferença. No diesel, o preço médio da Petrobras nas refinarias hoje é de R$ 3,57 por litro, ante R$ 7,497 no mercado internacional.

Segundo a associação, isso significa que a Petrobras está vendendo o produto a 47% do preço internacional. No caso da gasolina, o preço da Petrobras na refinaria é de R$ 3,80 por litro, contra R$ 7,00 no mercado internacional, em valores aproximados.

Para amortecer o choque externo e reduzir o repasse ao mercado interno, a Petrobras elevou o processamento em suas unidades, operando próxima de 98% da capacidade, para ampliar a produção de derivados e diminuir a necessidade de importação. Ao mesmo tempo, evitou repasses bruscos do petróleo e dos derivados para os preços nas refinarias nacionais, combinando sua política de preços com subsídios e subvenções articuladas pelo governo.

Do lado tributário, o governo zerou impostos federais, como PIS/Cofins e Cide, sobre a gasolina e prorrogou ou ampliou desonerações sobre o etanol.

Também foram concedidos subsídios e subvenções diretas para produtores e importadores de diesel e etanol, com exigência de repasse integral do desconto ao consumidor final, financiados em parte por receitas extraordinárias e pela tributação sobre a exportação de petróleo.

Pinheiro diz que a consequência imediata do descolamento do preço doméstico ante o do mercado internacional é a perda de viabilidade econômica das importações. “As importadoras não têm como concorrer com a Petrobras”, afirmou.

Ele concorda que, no curto prazo, a decisão do governo ajuda a conter a inflação, mas avalia que, no longo prazo, a conta tende a aparecer.

Pinheiro afirma que nenhum país do mundo fez o que o Brasil está fazendo. Em outros países, de acordo com ele, os governos adotaram políticas focalizadas, com subsídios direcionados a setores específicos, como motoristas de aplicativos e empresas de ônibus.

Na mesma linha, o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, afirma que a arquitetura montada no Brasil funcionou, na prática, como um suporte à Petrobras. “O que o governo brasileiro fez foi ajudar a Petrobras, que produz muito, pode vender barato e é compensada com parte do imposto de exportação do que ela mesmo exporta”, disse.

Araújo chama atenção ainda para o volume de auxílio embutido no preço do diesel e afirma que hoje há duas subvenções “empilhadas”, uma de R$ 1,40, que vence no dia 12 de novembro, e outra de R$ 2,12, que vence mais para o fim do mês.

“No total a subvenção hoje é de R$ 3,52”, afirmou. Para ele, passadas as eleições, o governo deve começar a reduzir gradualmente esse valor porque já começam a aparecer problemas de caixa.

📄 Contenido indexado automáticamente. No es de autoría de altabusqueda.com; los derechos pertenecen a su fuente: CNN Brasil — Últimas.
Ver nota original ↗
🤖 Profundizá esta noticia con OIMA (IA)

¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?

Respuestas de OIMA · IA, sobre esta noticia · Abrir OIMA Chat ↗
💬 0

Comentarios

También te puede interesar

ENEM 2026SUS é o tema da redação do Enem 2026; proposta aborda saúde como direito universal Assunto foi divulgado neste domingo (8) pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, durante o primeiro dia de provas. Candidatos devem discutir a importância do sistema público de saúde no Brasil.
Folha de Boa Vista
O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 é “A valorização do Sistema Único de Saúde (S…
ViolênciaAtaque criminoso deixa nove barracos incendiados em acampamento rural na Paraíba
ClickPB
Editar Enem 2026: mais de 120 mil estudantes no Piauí fazem prova do 1º dia do exame
Meio News
Matéria atualizada às 14h26Estudantes chamam atenção com “cesta básica” de lanches Uma bolsa cheia de lanches…
Tema da redação do Enem 2026 é "valorização do SUS como direito universal"
Tribuna do Norte
Redação Tribuna do Norte • 08 de novembro de 2026 • 13h58Candidatos de todo o país desenvolvem texto disserta…
Homem tenta defender mulher de atirador e acaba morto na Marambaia
Diário do Pará
Mais Diário do Pará no seu Google! Um clique para dar preferência às notícias do Pará Adicionar Mais Diário d…
Câmeras registraram tudo: o que falta esclarecer sobre morte de policial em Belém
Diário do Pará
Um policial federal aposentado de 82 anos foi morto a tiros durante um assalto a uma panificadora na esquina …