Temporal no Rio deixa rastro de destruição na Ilha de Paquetá
A passagem da intensa frente fria que atinge o Estado do Rio de Janeiro desde a tarde deste sábado (07/11) deixou um rastro de destruição na capital e em diversos municípios do Rio. Rajadas de vento de forte intensidade e chuvas volumosas provocaram a queda de dezenas de árvores sobre a fiação, alagamentos, desabamentos e grandes danos à infraestrutura elétrica, afetando centenas de milhares de consumidores.
Ilha de Paquetá vive cenário de devastação e apagões crônicos
Um dos pontos mais críticos da capital é a Ilha de Paquetá, localizada na Baía de Guanabara. O bairro insular, que já vinha enfrentando uma rotina de instabilidade elétrica há duas semanas, com oscilações diárias que chegavam a cinco ou seis quedas de luz por dia desde o fim de outubro, teve sua situação severamente agravada com o temporal de sábado.
A força dos ventos destelhou residências, destruiu fachadas comerciais e derrubou diversas árvores de grande porte na ilha. Em um dos casos mais graves, a queda de uma árvore destruiu completamente um imóvel residencial que havia acabado de passar por uma ampla reforma.
"Tive parte do meu telhado arrancado e a casa ficou totalmente molhada. O cenário aqui em Paquetá é verdadeiramente catastrófico, com prejuízos gigantescos para moradores e comerciantes", relatou uma moradora local que preferiu não sair do anonimato.
Infraestrutura obsoleta e incêndio em transformador
Além da força da natureza, os residentes denunciam o sucateamento crônico da rede elétrica que atende a ilha. A fiação subterrânea local é antiga e vem apresentando sucessivas falhas estruturais, culminando em sobrecargas frequentes nos transformadores.
Segundo relatos da comunidade, equipamentos instalados em postes costumam soltar faíscas de forma recorrente. Na noite de sexta-feira (06/11), véspera da tempestade, o incêndio em um transformador principal já havia deixado grande parte de Paquetá às escuras, antecipando o transtorno vivido ao longo deste fim de semana.
Rio de Janeiro sofre com chuvas frequentes
De acordo com balanço divulgado pela concessionária Enel Rio, a tempestade gerou 5.509 ocorrências em sua rede e chegou a deixar 475 mil estabelecimentos comerciais e residenciais sem energia elétrica simultaneamente.
Para conter a crise, a empresa mobilizou um contingente de 1.120 equipes de emergência nas ruas. Até o momento, a concessionária informa que 79% dos clientes impactados tiveram o fornecimento restabelecido, restando frentes de trabalho concentradas principalmente em Magé, São Gonçalo e em cidades da Região dos Lagos, áreas mais castigadas pelo evento climático.
Ao menos 185 árvores de grande porte tombaram diretamente sobre cabos e postes de alta e baixa tensão em todo o estado, exigindo a reconstrução de trechos inteiros da rede.
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