NO JURUNASSede do Rancho Não Posso Me Amofiná vai a leilão nesta segunda-feira A sede do Grêmio Recreativo Jurunense Rancho Não Posso Me Amofiná, tradicional escola de samba de Belém, será leiloada nesta segunda-feira (9) pelo TRT-8. O imóvel foi avaliado em R$ 1,6 milhão.
O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8), responsável pela jurisdição do Pará e Amapá, realiza nesta segunda-feira (9), a partir das 9h, a 5ª edição do Leilão Unificado das Varas do Trabalho de Belém e Ananindeua de 2026. A disputa será realizada pela internet, com transmissão ao vivo, e terá 52 lotes disponíveis para arrematação, entre imóveis, veículos e equipamentos.
Entre os bens incluídos no leilão está a sede do Grêmio Recreativo Jurunense Rancho Não Posso Me Amofiná, tradicional escola de samba de Belém, localizada no bairro do Jurunas. O imóvel foi avaliado em R$ 1,6 milhão e aparece na relação de bens que poderão ser arrematados.
Sede do Rancho Não Posso Me Amofiná vai a leilão
O imóvel está localizado na travessa Honório José dos Santos, nº 758, entre as ruas Conceição e Timbiras, no Jurunas. De acordo com a descrição do processo, o terreno tem área de 912,32 metros quadrados e pertence ao Grêmio Recreativo Jurunense Rancho Não Posso Me Amofiná.
A estrutura conta com um galpão de cobertura metálica e paredes de alvenaria. No térreo, estão áreas de bilheteria, galeria de troféus, palco, camarim, biblioteca, sala de projetos sociais, bar e banheiros. O espaço também possui um pavimento superior com camarotes, secretaria, sala da presidência e sala de instrumentos.
O imóvel é foreiro à Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem), conforme consta na descrição do bem disponibilizada para o leilão.
A avaliação judicial foi fixada em R$ 1,6 milhão. O pagamento poderá ser feito à vista ou de forma parcelada, conforme as condições estabelecidas no edital. No caso de pagamento à vista, o arrematante deverá efetuar o depósito judicial em até 24 horas após o encerramento do leilão, por meio de guia emitida pelo leiloeiro.
Como participar do leilão?
O Leilão Unificado reúne bens vinculados a processos que tramitam nas Varas do Trabalho de Belém e Ananindeua. Os lotes são ofertados por leiloeiro oficial e podem ser disputados por interessados que cumpram as exigências previstas no edital.
A sessão desta segunda-feira (9) começa às 9h, pela internet, com transmissão ao vivo. A relação dos 52 lotes, as condições de participação e as regras para apresentação de lances devem ser consultadas nos canais oficiais do TRT-8 e do leiloeiro responsável.
Aliada ao bolsonarismo
A publicação de uma mensagem religiosa desejando uma semana abençoada acabou colocando novamente o Rancho Não Posso Me Amofiná no centro de uma polêmica. A escola de samba do Jurunas, em Belém, que recentemente enfrentou uma onda de críticas por seu posicionamento político nas eleições de 2026 favorável a Flávio Bolsonaro (PL), que foi derrotado no 2º turno, agora recebe questionamentos sobre a contradição entre o discurso de fé divulgado por seu presidente, Jackson Santarém, e outros conteúdos compartilhados nos canais da agremiação.
O debate envolve especialmente uma charge política que retrata uma mulher como uma galinha, usando uma coleira presa a uma guia segurada pelo presidente Lula, reeleito no último domingo, 25, para seu quarto mandato de presidente da República. A imagem, acompanhada da frase “ARRUME AS MALAS”, apresenta uma representação feminina da primeira-dama Janja, animalizada e subjugada, considerada por seguidores desrespeitosa e incompatível com os valores de uma instituição cultural que representa uma comunidade.
A repercussão ganha outro significado quando colocada ao lado da mensagem religiosa publicada por Jackson Santarém. Em um texto que invoca Deus, gratidão e bênçãos, o presidente utiliza uma passagem bíblica para desejar uma semana de realizações. A combinação dos conteúdos provocou questionamentos sobre machismo, misoginia, respeito às mulheres e responsabilidade na comunicação institucional.
A representação transforma uma mulher em animal e a apresenta em posição de submissão, como alguém conduzido por outra pessoa. O uso da imagem levanta uma discussão sobre a reprodução de estereótipos machistas e misóginos, especialmente quando o conteúdo aparece em um perfil institucional de uma escola de samba.
Nos comentários, seguidores não esconderam a insatisfação com a publicação. “Que desrespeito, ainda mais vindo de uma escola de samba. Isso tudo por conta de um presidente que coloca a comunidade a mercê de seus caprichos. Lamentável!”, escreveu uma internauta.
Outra seguidora demonstrou tristeza com o posicionamento da agremiação: “Incrédula com que uma escola de samba como o Rancho está se prestando, por isso que de uns anos pra cá vem se afundando e perdendo o brilho”.
Também houve manifestações de pessoas que se identificaram como integrantes ou simpatizantes da escola e afirmaram não concordar com a associação entre o Rancho e aquele posicionamento político.
“O Jurunas é Lula… a escola que está contra a comunidade não é digna de representar o bairro que sempre foi resistência”, comentou outro usuário.
Mensagem religiosa e ironias
Em outra publicação, Jackson Santarém compartilhou uma mensagem religiosa com o título de uma declaração de fé para o início da semana.
O texto fala sobre gratidão, confiança em Deus, determinação e superação de desafios. Além disso, apresenta uma passagem de Deuteronômio 28:8:
“O SENHOR ENVIARÁ BÊNÇÃOS AOS SEUS CELEIROS E A TUDO O QUE AS SUAS MÃOS FIZEREM. O SENHOR, O SEU DEUS, OS ABENÇOARÁ NA TERRA QUE DÁ A VOCÊS.”
A mensagem termina com a expressão “UMA SEMANA ABENÇOADA, COM A GRAÇA DE JESUS” e a assinatura do presidente do Rancho.
A publicação, entretanto, não passou despercebida pelos seguidores. Em meio ao desgaste provocado pelas manifestações políticas anteriores, alguns internautas ironizaram o tom religioso adotado pelo dirigente e fizeram referências à possibilidade de a escola transformar sua sede em uma igreja.
“Agora o Rancho vira uma igreja”, escreveu um usuário.
Outra pessoa ironizou: “A primeira escola de samba gospel do Pará”.
Também apareceram comentários cobrando a realização de atividades carnavalescas na sede da agremiação. “Vai ter samba da vitória na sede?”, questionou uma seguidora.
As reações demonstram que o debate não envolve apenas a mensagem bíblica ou a liberdade individual de Jackson Santarém de manifestar sua fé. O questionamento central está na coerência entre os valores apresentados publicamente e os conteúdos divulgados em nome da escola.
Histórico de polêmicas e o papel da escola de samba
A sequência de críticas tem relação direta com o posicionamento político assumido pelo Rancho durante as eleições de 2026. A escola manifestou apoio público a Flávio Bolsonaro (PL), decisão que provocou insatisfação entre parte dos integrantes e simpatizantes da agremiação.
Depois do resultado eleitoral, a direção publicou uma mensagem de agradecimento à comunidade jurunense, assinada por Jackson Santarém. O texto defendia o respeito à democracia, às escolhas populares e às diferenças políticas.
Entretanto, a publicação também recebeu uma enxurrada de críticas. Seguidores contestaram a associação entre o posicionamento da presidência e a preferência eleitoral dos moradores do Jurunas.
Entre os comentários, internautas lembraram que Lula venceu em todas as zonas eleitorais de Belém e afirmaram que a direção não poderia utilizar o nome da escola como se representasse politicamente toda a comunidade.
A insatisfação continuou nas publicações seguintes, inclusive na mensagem religiosa mais recente.
Rancho Não Posso Me Amofiná volta ao Grupo Especial do Carnaval de Belém
Após ser rebaixado no ano passado, o Grêmio Recreativo Beneficente Jurunense Rancho Não Posso Me Amofiná garantiu o retorno ao Grupo Especial do Carnaval de Belém. A escola de samba do bairro do Jurunas terminou a apuração na segunda colocação da classificação e conquistou uma vaga na elite da folia da capital paraense.
Fundado em 31 de janeiro de 1934, o Rancho é uma das agremiações mais tradicionais do carnaval paraense. Com as cores azul, amarelo e vermelho, a escola acumula 35 títulos no carnaval do Pará, consolidando uma trajetória marcada pela participação na cultura popular e pela ligação histórica com a comunidade do Jurunas.
O último título conquistado pela agremiação foi em 2019, com o enredo “Made in Barcarena – Eu Canto o Encanto do Teu Universo!”, homenagem às riquezas, à cultura e às particularidades do município paraense.
O retorno ao Grupo Especial representa um novo capítulo na história da escola, que agora terá o desafio de voltar a disputar o título entre as principais agremiações carnavalescas de Belém.
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