Enem 2026 tem questões sobre terras raras, Lei Rouanet e guerra no Irã

O primeiro dia de aplicação do Enem 2026 apresentou questões envolvendo a Lei Rouanet, o direito ao voto feminino, a guerra no Irã e terras raras, segundo professores consultados pelo UOL.
O que caiu no exame
O primeiro dia de prova do Enem manteve a exigência de muita leitura e com caráter interpretativo, segundo professores. “Era possível resolver grande parte das questões pelo comando e análise dos textos”, afirmou Raphael Kapa, orientador pedagógico do ensino médio do Colégio Andrews. As temáticas raciais, sociais e indígenas também apareceram nas questões.
A prova repetiu um modelo de perguntas utilizado na edição do ano passado conhecido como testlet. Nesse modelo, um único texto é usado para realizar várias perguntas. Na prova de ciências humanas, um texto da antropóloga Lilia Schwarcz foi usado para falar sobre a concepção sobre museus e como a história é pensada a partir disso, segundo Camila Feitosa, professora de história do Elite Rede de Ensino.
Uma das perguntas da prova de linguagens abordou a Lei Rouanet. Segundo o professor Willy Rocha, da escola SEB Lafaiete AZ, a questão apresentava um infográfico sobre os benefícios da legislação como a movimentação por empregos e o retorno de investimento —a lei é alvo de críticas da direita bolsonarista.
Na questão sobre terras raras, os candidatos receberam um gráfico com os países que detêm as maiores reservas dos recursos minerais. “A abordagem mostrou como países emergentes ou que não ocupam posições centrais na economia mundial possuem um grande potencial de geração de riqueza a partir da exploração desses recursos”, explica Altieris Lima, professor de geografia da Escola SEB Lafaiete AZ.
O tema ganhou força nos últimos anos e teve espaço também no debate eleitoral. Em setembro, o presidente Lula sancionou uma política nacional dos minerais críticos e terras raras.
Uma questão também atual apresentada aos participantes foi a guerra no Irã e o Estreito de Ormuz. A prova abordou um mapa que mostrava a rota marítima padrão e uma rota alternativa utilizada por um petroleiro paquistanês, explica Lima. “Exigiu dos candidatos conhecimento sobre a geopolítica contemporânea e a importância estratégica das rotas de circulação de petróleo”, afirmou Stephanie Oliveira, professora de geografia do Elite Rede de Ensino.
Stephanie também destacou uma pergunta que envolvia o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra). “A questão abordou iniciativas de formação e capacitação promovidas pelo MST para pequenos agricultores e populações rurais mais vulneráveis. A proposta estava relacionada à transformação da realidade fundiária, buscando contribuir para a redução da concentração de terras no Brasil”, explica a professora.
Apesar dos temas atuais, a prova do Enem é produzida com meses de antecedência. Em geral, a preparação começa em abril, mas as perguntas não necessariamente foram produzidas neste mês. Isso, porque, o Inep, instituto responsável pelo exame, usa o BNI (banco nacional de itens), que nada mais é que um acervo com as perguntas a serem utilizadas no Enem.
A prova de sociologia do Enem foi bastante ampla, com destaque para quatro questões sobre movimentos sociais, um tema muito aguardado. Foram abordadas a luta indígena pelos direitos territoriais, a atuação do MST, as conquistas do movimento operário e o movimento feminista no Brasil, incluindo o direito ao voto e a participação das mulheres nos processos decisórios.
Breno Carlos da Silva, professor de sociologia da escola SEB Lafaiete AZ
A prova também explorou questões relacionadas à variação linguística e aos regionalismos, valorizando a diversidade e a riqueza cultural do país. Nesse contexto, aparecem ainda discussões sobre o combate à xenofobia, além de referências à cultura amazônica e indígena e ao diálogo entre essas culturas dentro e fora do Brasil.
Rafael Cruz, professor de história da Escola Eleva
Redação
Além de 90 questões, os candidatos precisam escrever um texto dissertativo-argumentativo. O tema da redação deste ano foi “a valorização do SUS (Sistema Único de Saúde) como direito universal”.
A redação é considerada uma das etapas mais importantes, já que representa 20% do resultado final do exame. É preciso tomar cuidado para não zerar a nota da redação. Para isso, é preciso escrever ao menos sete linhas e não fugir do tema proposto pelo exame.
O desafio de garantir a universalização em um “país de dimensões continentais” pode ser citado pelos alunos, avalia Gabriella Jardim, professora de redação da Escola Eleva. Na mesma linha, a professora do Colégio Objetivo Maria Aparecida Custódio destaca o programa de vacinação do SUS como exemplo a ser explorado pelos candidatos.
“A valorização deve ocorrer para ampliar o atendimento por meio de orçamentos, de investimentos e recursos que trabalhem com a prevenção e a cura”, explica.
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