"Sempre foram meus camaradas", diz PM que atirou contra amigos na Asa Sul
Bruno Cardoso dos Passos disse, em depoimento, que não tinha qualquer tipo de desavença com as pessoas que estavam na van

Em depoimento, o policial militar Bruno Cardoso dos Passos, de 27 anos, preso após efetuar diversos disparos de arma de fogo e matar uma mulher, além de ferir outras quatro pessoas, neste domingo (8/11), disse que todos eram de seu “ciclo de amizade”.
Veja:
Para praticamente todas as perguntas feitas pelo delegado, o militar respondeu apenas não se recordar.
Somente quando foi questionado se tinha algum tipo de desentendimento com os policiais que estavam na van, Bruno disse que eles são como “irmãos”.
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“A gente fez o curso junto, eles viviam na minha casa, assim como eu ia na deles, nunca tive nenhum problema com eles. Sempre foram meus camaradas mesmo. Todos que estavam lá eram do meu ciclo de amizade”, ressaltou.
Entenda o caso
- O crime aconteceu na madrugada deste domingo (8/11), quando um grupo de 16 pessoas retornava de uma comemoração de aniversário em uma van alugada;
- Durante a comemoração, o policial teria discutido com a esposa e, posteriormente, ameaçado “matar todos”;
- Os passageiros seguiam para Ceilândia quando o pneu do veículo furou e o motorista parou em um posto de combustíveis na altura da 302 Sul;
- Quando o veículo parou no posto, o militar começou a atirar contra os passageiros e, em seguida, desembarcou e continuou disparando até acabar a munição;
- Uma amiga da esposa de Bruno, Alessandra da Silva Oliveira Andrade foi baleada e morreu ainda dentro da van;
- Outras quatro pessoas ficaram feridas, entre elas a esposa do policial e outro militar, que foi atingido na cabeça e permanece internado em estado grave na UTI Neuro;
- Bruno foi preso horas depois no Parque da Cidade;
- A arma utilizada no crime e o celular do policial foram apreendidos pela PCDF.
“Militar feminicida”
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), repudiou o caso. Ela chamou Bruno de “militar feminicida” e afirmou que a atitude dele “não tem o padrão de comportamento da nossa Polícia Militar”. “Já determinei a apuração rigorosa do caso”, completou Celina.
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa (CLDF) também se manifestou. Em nota, o presidente da comissão, deputado distrital Fábio Felix (PSol), afirmou que “arma e festa não combinam”.
O parlamentar defendeu regras mais rígidas para o porte de armas por policiais em situações de lazer e consumo de álcool. “É preciso dizer com todas as letras: arma e festa não combinam. Arma e álcool não combinam. Quando um policial vai armado para uma confraternização, qualquer discussão pode terminar em morte. E terminou”, destacou.
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