ENEM Enem 2026 aborda Lei Rouanet, MST, ditadura militar e guerra no Irã
O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, realizado neste domingo, 8, foi marcado por questões relacionadas à política, à história brasileira, aos direitos sociais e aos principais acontecimentos internacionais.
Entre os assuntos cobrados estavam a Lei Rouanet, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a ditadura militar, a guerra no Irã e a importância estratégica do estreito de Ormuz. A prova também abordou a participação das mulheres na sociedade, a valorização dos povos indígenas e os desafios ambientais.
Tudo sobre Enem em primeira mão!Além das 90 questões objetivas, divididas igualmente entre Linguagens e Ciências Humanas, os candidatos precisaram produzir uma redação sobre "A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal".
O tema convidou os estudantes a refletirem sobre a importância da saúde pública, o acesso universal aos serviços e os desafios relacionados ao reconhecimento e à valorização do sistema brasileiro.
Mais de 5 milhões de pessoas tiveram suas inscrições confirmadas para a edição deste ano, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do exame.
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Lei Rouanet, MST e direito ao voto apareceram
Entre os temas que chamaram atenção, a Lei Rouanet apareceu em uma questão baseada em um infográfico sobre os impactos econômicos do incentivo à cultura no Brasil.
O material apresentava uma estimativa de movimentação econômica superior a R$ 49 bilhões desde 1992 e indicava que, para cada R$ 1 investido, haveria um retorno indireto de R$ 1,59.
Outro tema relacionado aos debates sociais brasileiros foi a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A questão abordou iniciativas de capacitação e formação profissional destinadas a pequenos produtores rurais, associando o acesso ao conhecimento técnico às transformações na realidade agrária brasileira.
O exame também apresentou conteúdos sobre a conquista do voto feminino e os direitos das mulheres, além de discussões sobre sua participação nas Olimpíadas e a baixa representatividade feminina na produção científica.
Questões envolvendo a população negra, a luta por direitos e as desigualdades sociais também estiveram presentes.

Guerra no Irã e terras raras levaram geopolítica à prova
A edição de 2026 incorporou acontecimentos internacionais recentes, incluindo a guerra no Irã e a importância do estreito de Ormuz para o comércio e o abastecimento energético mundial.
A região, localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma das principais rotas de transporte marítimo de petróleo, tornando-se estratégica para as relações econômicas internacionais.
Outro assunto abordado foi a distribuição mundial de terras raras, conjunto de elementos minerais utilizados na fabricação de equipamentos eletrônicos e em tecnologias como veículos elétricos e turbinas eólicas.
Uma questão apresentou dados sobre os países que concentram esses recursos e pediu aos estudantes que relacionassem sua distribuição à influência econômica e geopolítica das nações.
Entre os dez países representados no material estavam integrantes do Brics e outras economias emergentes. Estados Unidos e Austrália eram, segundo a análise da professora, os únicos países desenvolvidos destacados.

Ditadura militar e povos indígenas em História
A História do Brasil teve forte presença na prova de Ciências Humanas, com candidatos encontrando questões sobre o período colonial, o Segundo Reinado, a Primeira República, a Guerra do Contestado e a organização do movimento operário.
A ditadura militar brasileira apareceu em duas perguntas. Uma delas tratava da música como instrumento de resistência ao regime, com referência à produção artística de Chico Buarque.
Também foram cobrados conteúdos relacionados aos povos indígenas, especialmente a resistência à colonização, a preservação de línguas e tradições e as reivindicações por direitos.
Meio ambiente e agricultura também foram cobrados
As questões de Geografia relacionaram conhecimentos tradicionais da disciplina a problemas ambientais e econômicos atuais. Entre os assuntos estavam mudanças climáticas, assoreamento, salinização do solo, agroecologia e sustentabilidade. O descarte de resíduos provenientes de painéis solares também apareceu na avaliação.
A agricultura brasileira também foi abordada, com destaque para a produção voltada à exportação e a necessidade de mecanismos de financiamento para pequenos agricultores.
As questões procuraram relacionar a organização do setor agrícola às desigualdades no campo e às políticas de desenvolvimento econômico.

Literatura brasileira e artes visuais
Na prova de Linguagens, a literatura nacional teve espaço com textos de Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e José Lins do Rego. As questões exigiram interpretação, comparação entre obras e identificação de características literárias, incluindo aspectos do romance brasileiro de 1930.
Também foram exploradas diferentes formas de expressão da língua portuguesa, como regionalismos e variações linguísticas, além de manifestações culturais indígenas e amazônicas.
A representação feminina apareceu em textos literários e em um poema que discutia maternidade, vaidade e expectativas sociais sobre o comportamento das mulheres.
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